Reabilitação Neuropsicológica

A RN deve ser personalizada para cada indivíduo a partir do perfil cognitivo e do repertório intelectual e social do paciente anterior à doença. O processo inicia-se com uma avaliação neuropsicológica que inclui o mapeamento das funções cognitivas comprometidas e preservadas, um exame do perfil de personalidade, perfil ocupacional e intelectual e rede social do paciente. Este mapeamento irá determinar as metas da reabilitação e ajudará a identificar os recursos que serão trabalhados na reabilitação.


Técnicas de Reabilitação Neuropsicológica


A RN envolve o ensino e prática de estratégias compensatórias de memória, como o uso de associações verbais, categorização e a criação de imagens mentais. São realizadas tarefas cognitivas de memorização, de linguagem, de planejamento, ordenação e lógica e atividades visuoconstrutivas para a estimulação das principais funções. As atividades propostas devem ser adequadas ao nível intelectual e cultural do paciente, gerando motivação e sensação de competência. Também são implementados apoios externos, como o uso de agendas, calendários, listas de tarefas, alarmes e agendas eletrônicas, entre outros recursos computadorizados.


Para pacientes com prejuízo cognitivo significativo, que dependem de ajuda de outras pessoas para atividades diárias, a RN baseia-se em técnicas que usam a repetição e a memorização implícita. Bons exemplos são a técnica de aprendizagem sem erro, a evocação espaçada e a redução gradual de apoio, que podem ser usadas conjuntamente. O terapeuta pode apresentar informações selecionadas e essenciais para o paciente, como o nome de seu cuidador. O paciente irá repetir o nome em espaços gradualmente maiores de tempo, inicialmente com o apoio das sílabas iniciais do nome que serão retiradas aos poucos, como no exemplo, Renata, Rena_, Re_ até o paciente conseguir falar o nome com confiança, com mínima chance de cometer erro enquanto está aprendendo.


Alguns pacientes não reconhecem os familiares. Nestes casos, a construção de um livro de memória, com o apoio do terapeuta, poderá auxiliar na manutenção da memória autobiográfica. O exame do livro, que deve conter fotos e nomes dos familiares, antes de visitas e eventos poderá ajudar o paciente a reconhecer as pessoas e a sentir-se mais seguro.
A reorganização do ambiente físico também é essencial para reduzir as exigências cognitivas. A casa deve fornecer pistas visuais para a redução da desorientação, por exemplo, as portas de cômodos e armários podem conter figuras ou nomes escritos para fácil identificação de seu conteúdo.
Muitos pacientes deixam de reconhecer sua própria casa. Quando isto acontece, a seleção de objetos, quadros e relíquias familiares pode ajudá-los a reconhecer o ambiente familiar.

Referências

Ávila R. Resultados da reabilitação neuropsicológica em paciente com doença de Alzheimer leve. Revista de Psiquiatria Clínica, vol.30, no.4, p.139-146, 2003.
Yassuda MS, Flaks MK. Revisão crítica de programas de reabilitação cognitiva para pacientes com demência. Em: Forlenza OV. (Org.). Psiquiatria Geriátrica: do diagnóstico precoce à reabilitação. São Paulo, Atheneu, 2007,p. 411-422.