Intervenções Complementares

Saúde Bucal Em Indivíduos Com Demência

Saúde Bucal Em Indivíduos Com Demência

José Augusto Ferrari Cestari
CROSP: 89723

A saúde bucal tem um papel fundamental na prevenção de doenças principalmente na terceira idade. A inflamação gengival, também conhecida como doença periodontal, pode prejudicar mais do que a nossa saúde bucal. Existem diversos estudos que comprovam que as bactérias que causam a doença periodontal podem causar também doenças respiratórias, cardíacas, acúmulo de gordura nos vasos sanguíneos, derrame e dificuldade no controle de Diabetes. Recentemente, novas pesquisas sugerem que as infecções bucais podem contribuir também para a inflamação do cérebro, para a morte dos neurônios e assim, para a doença de Alzheimer.
A doença periodontal é comumente causada por restos de alimentos e pelo acúmulo da placa bacteriana nos dentes. As bactérias desta placa liberam toxinas que destroem o osso e a gengiva ao redor dos dentes. A doença periodontal é indolor, e por este motivo muitos pacientes não procuram o dentista , e quando a infeção não é tratada pode progredir rapidamente para a perda dentária.
Uma boa saúde bucal melhora a mastigação e digestão de alimentos melhorando a qualidade de vida global do paciente com comprometimento cognitivo. Se você é cuidador de um destes pacientes, aqui estão algumas dicas para ajudar na manutenção da boa saúde bucal.

 

Escove os dentes duas vezes por dia:
Escolha uma escova dental que seja de fácil manuseio para o prório paciente, você e outros cuidadores. Geralmente escovas elétricas são uma boa opção.
Se o creme dental tornar a tarefa mais difícil, despreze-o.
Em casos mais avançados da doença em que o paciente não seja mais receptivo a escovação, enrolar uma gaze no dedo indicador embebida com enxaguatório bucal com clorexidina em sua formulação.
Use o fio dental uma vez por dia se possível. Existe no mercado alternativas que podem ser usados com apenas uma das mão o que facilita a tarefa.

 

Limpeza da boca e próteses após acada refeição:
Alguns pacientes apresentam dificuldade de mastigação e deglutição o que leva o paciente a deixar restos de alimentos na cavidade bucal.
Remover a dentadura do paciente para a limpeza após cada refeição.
Usando uma escova de dentes com cerdas macias, suavemente escovar a gengiva, céu da boca e lingua do paciente.

 

Inspecione visualmente os dentes e gengivas do paciente uma vez por mês:
Observar se o paciente apresenta gengivas inchadas, avermelhadas , presença de sangramento, pus, dentes amolecidos e mau hálito que são sinais da doeça periodontal.

Abordagem Não Farmacológica

Ceres Eloah de Lucena Ferretti

Apesar de sabermos que algumas doenças, como as demências, sejam apenas controladas e não curadas, também sabemos que muito se pode fazer para suavizar o sofrimento de pacientes e de seus familiares, auxiliando-os no seu cotidiano por meio de respostas às suas dúvidas imediatas sobre o que fazer diante de dificuldades que vão surgindo no dia a dia e que serão discutidas aqui.

Nossa proposta é que por meio de um processo dinâmico de troca de informações, possamos levar até você esclarecimentos essenciais que possam facilitar suas tarefas com o paciente em casa.

Neste nosso primeiro contato, desejamos que você entenda, que a atuação de diferentes áreas de especialidade, que fazem parte de uma equipe multidisciplinar, vão muito além de dar apoio emocional, aplicar injeções, orientar exercícios, melhorar a linguagem e deglutição, criar atividades ou elaborar dietas, entre outros. Todos estes profissionais, individualmente ou em grupo têm claramente o entendimento de que uma de suas principais tarefas, e talvez a mais importante, trata da EDUCAÇÃO EM SAÚDE e, consequentemente, da PREVENÇÃO de outras doenças.

Neste sentido, nada parece ser mais confortável do que contar com pessoas que possam auxiliá-lo (a) na resolução de alguns problemas que, por nossa experiência, podem levar a enorme desgaste, tanto físico quanto emocional para aquele que cuida diretamente do paciente, com possibilidades de desestruturação e desagregação familiar.

Há alguns anos atrás, pouco se conhecia sobre como cuidar em casa de alguém que, pouco a pouco se tornava dependente em várias funções. Havia também a crença de que alterações observadas entre idosos faziam parte do envelhecimento, o que retardava a procura pelo médico e o diagnóstico de demência. Hoje já entendemos melhor fatores que podem ser responsáveis por muitas destas alterações e dependências e com isso, podemos melhorar nossa assistência mantendo a qualidade de vida, não apenas para seu paciente como também para você e sua família.

Mais uma vez, caro amigo (a), entendemos que a INFORMAÇÃO é nossa principal aliada na prevenção, tratamento e controle de muitas doenças, sejam elas agudas ou crônicas como as demências, e ficamos satisfeitos não só por observar que as pessoas buscam maior conhecimento acerca da evolução destas doenças, como também por contribuir diretamente com você familiar/cuidador, em vários aspectos que serão abordados a partir de agora por especialistas que se dedicam a assistência aos portadores de diferentes doenças neurológicas, ampliando esta assistência para o cuidador e ambiente.

Finalizando, e ainda nesse nosso contato inicial, falaremos um pouco de um assunto importante e igualmente delicado, na medida em que envolve a discussão de bens que pertencem a alguém mentalmente afetado. Em nossa prática ambulatorial, frequentemente ouvimos queixas como "Nós estamos passando por grandes dificuldades financeiras, no entanto, meu pai tem muitos recursos, e nós não podemos usar. Como podemos fazer para usar estes recursos legalmente?"

Para nós é importante ajudá-lo a entender os primeiros passos necessários para requerer a curatela, ou melhor, o que fazer para representar ou interditar uma pessoa que apresenta incapacidade para a prática de suas as atividades civis e cotidianas, diagnosticada e laudada por médico competente. Informações bastante úteis podem ser vistas no site do Ministério da Saúde e Previdência Social.