O que é a Neurologia Cognitiva e do Comportamento?

A Neurologia é a área da medicina dedicada ao estudo de tratamento das doenças que acometem o sistema nervoso central(SNC), o sistema nervoso periférico(SNP) e os músculos. A Neurologia Cognitiva e do Comportamento é o ramo da neurologia que estuda as patologias que afetam direta ou indiretamente o funcionamento dos sistemas cognitivos e o comportamento. As demências são as principais condições clínicas atendidas pela Neurologia Cognitiva e do Comportamento.

Como especialidade médica, a Neurologia é uma área do conhecimento que vem experimentando um avanço enorme nos últimos anos. Parte desse progresso deveu-se ao impulso dado pela proclamação da Década do Cérebro que se estendeu de 1990 a 2000. Ganhamos uma velocidade acelerada na produção científica e uma compreensão muito maior sobre doenças como Acidentes Vasculares Cerebrais, Epilepsia, Cefaléias, Tumores do Cérebro, Neuropatias Periféricas, Parkinson e também na Doença de Alzheimer, a principal entidade do campo da Neurologia Cognitiva e Comportamental.

A cada dia entendemos melhor as bases moleculares e genéticas envolvidas no surgimento e desenvolvimento das doenças neurológicas e esperamos atingir o ponto em que teremos intervenções efetivas, capazes de modificar significativamente a progressão das patologias estudadas. Um exemplo de esforço internacional nesse sentido é a ADNI – Alzheimer’s Disease Neuroimage Initiative. Por meio das pesquisas desenvolvidas em colaboração nos Estados Unidos, Europa e alguns países de outros continentes, já sabemos que a deposição das proteínas relacionadas à doença de Alzheimer começa anos antes dos primeiros sintomas e isso pode ser detectado com testes específicos. O próximo passo será criar medicamentos que retardem o aparecimento da doença com base nessas pesquisas.

Existem algumas enfermidades que comprometem primariamente o mecanismos da cognição e do comportamento. Entre elas, citamos a demência de Alzheimer, a demência com Corpos de Lewy e a família de patologias englobadas no que se denomina Degeneração Lobar Frontotemporal. Existem também doenças que afetam inicialmente outros aspectos do sistema nervoso e que, com o tempo, repercutem sobre as funções cognitivas. Nesse caso se enquadram as doenças vasculares cerebrais, a doença de Parkinson, a doença de Huntington, infecções como a sífilis e a AIDS, algumas formas de epilepsia e doenças desmielinizantes. Todas elas são objeto de estudo da Neurologia Cognitiva e do Comportamento.

Tradicionalmente, a neurologia é rica em termos de semiologia, sendo o profissional capaz de examinar o paciente e localizar quais as áreas do sistema nervoso afetadas pela doença com base nos sinais observados ao exame. Os sintomas motores e as alterações de linguagem foram as primeiras funções cerebrais a serem especificamente relacionadas aos danos em regiões específicas do sistema nervoso. Os primeiros insights foram obtidos graças ao estudo de pessoas que tinham sofrido uma lesão cerebral restrita a uma área e os sintomas que apresentaram foram correlacionados a essas áreas. No campo da neurologia cognitiva, o mesmo tipo de abordagem era um pouco mais difícil devido à integração dos sistemas cognitivos. Atualmente com o desenvolvimento de metodologias que permitem o estudo in vivo das funções mentais, cada vez mais somos capazes de associar dificuldades do processamento mental a regiões específicas do cérebro ou redes funcionais.

A neurologia cognitiva e do comportamento é um campo de grande crescimento nas neurociências. As descobertas sobre o funcionamento dos domínios cognitivos no indivíduo normal e o comprometimento desses domínios nas diversas patologias têm formado uma vastíssimo campo de conhecimento e de prática clínica com sua propedêutica específica. Cada vez mais, o profissional especializado em neurologia cognitiva é procurado pelo atendimento diferenciado que pode oferecer em sua área de atuação.